segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

ROSAS 

Rosas que desabrochais,

Como os primeiros amores,

Aos suaves resplendores

Matinais;

Em vão ostentais, em vão,

A vossa graça suprema;

De pouco vale; é o diadema

Da ilusão.

 Em vão encheis de aroma o ar da tarde;

Em vão abris o seio úmido e fresco

Do sol nascente aos beijos amorosos;

Em vão ornais a fronte á meiga virgem;

Em vão, como penhor de puro afeto;

Como um elo das almas,

Passais do seio amante ao seio amante;

Lá bate a hora infausta

Em que é força morrer; as folhas lindas

Pedem o viço da manhã primeira,

As graças e o perfume.

Rosas que sois então?- Restos perdidos,

Folhas mortas que o tempo esquece, e espalha

Brisa de inverno ou mão indiferente.

Tal é o vosso destino,

Ó filhas da natureza:

Em que vos pese á beleza,

Pereceis

Mas, não...Se a mão de um poeta

Vos cultiva agora, ó rosas,

Mais vivas, mais jubilosas,

Floresceis.


Machado de Assis



Sem comentários:

Enviar um comentário