quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023


Orquídeas


 


Por mais de 2500 anos as Orquídeas têm fascinado a humanidade e foram utilizadas no passado em porções curativas, afrodisíacas, para decoração e ocuparam grande papel nas superstições.

Um dos grandes apreciadores das Orquídeas foi o filósofo Confúcio que sentia-se fascinado pelo seu perfume e beleza, relacionando esta flor com a delicadeza de sentimentos, amor, pureza e elegância.



segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

ROSAS 

Rosas que desabrochais,

Como os primeiros amores,

Aos suaves resplendores

Matinais;

Em vão ostentais, em vão,

A vossa graça suprema;

De pouco vale; é o diadema

Da ilusão.

 Em vão encheis de aroma o ar da tarde;

Em vão abris o seio úmido e fresco

Do sol nascente aos beijos amorosos;

Em vão ornais a fronte á meiga virgem;

Em vão, como penhor de puro afeto;

Como um elo das almas,

Passais do seio amante ao seio amante;

Lá bate a hora infausta

Em que é força morrer; as folhas lindas

Pedem o viço da manhã primeira,

As graças e o perfume.

Rosas que sois então?- Restos perdidos,

Folhas mortas que o tempo esquece, e espalha

Brisa de inverno ou mão indiferente.

Tal é o vosso destino,

Ó filhas da natureza:

Em que vos pese á beleza,

Pereceis

Mas, não...Se a mão de um poeta

Vos cultiva agora, ó rosas,

Mais vivas, mais jubilosas,

Floresceis.


Machado de Assis



quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

 Olá hoje volto ao meu blog para lhes falar um pouco de uma poetisa pouco conhecida.   


A MARQUEZA DE ALORNA

Poetisa, tradutora e pedagoga portuguesa, nascida em 1750 e falecida 1839,

D. Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre, mais conhecida por Marquesa de Alorna,

foi uma figura de rara erudição, autora de uma obra epistolar ainda por descobrir e grande

divulgadora das novas ideias vindas da Europa.


Como está Sereno o Céu


Como está sereno o céu,

como sobe mansamente

a Lua resplandecente

e esclarece este jardim!


Os ventos adormecem;

das frescas águas do rio

interrompe o murmúrio

de longe o som de um clarim.


Acordam minhas ideias

que abrangem a Natureza;

e esta nocturna beleza

vem meu estro incendiar.


Mas, se á lira lanço a mão,

apagadas esperanças

me apontam cruéis lembranças,

e choro em vez de cantar.

Marqueza de Alorna, in " Antologia poética"



Casa do Marquês de Fronteira e seus jardins onde passou os últimos dias a Marqueza de Alorna






Fotos de Isabel Pereira

sábado, 16 de outubro de 2021



O depois de algum tempo ausente volto ao meu blog.


Hoje vou falar-vos do " poeta esquecido"


Aguinaldo Brito Fonseca nasceu a 20 de Setembro 1922 no Mindelo, São Vicente Cabo Verde, 

Faleceu em Lisboa , a 24 de Janeiro com 91 anos

Publicou um único livro " Linha do Horizonte "

Ficou conhecido pelo " poeta esquecido "


 Mãe Negra

A mãe negra embala o filho

Canta a remota canção

Que seus avós já cantavam

Em noites sem madrugada.


Canta, canta para o céu

Tão estrelado e festivo

É para o Céu que ela canta

Que o Céu

Ás vezes também é negro


No Céu

Tão estrelado e festivo 

Não há branco, não há preto

Não há vermelho e amarelo

Todos são anjos e santos

Guardados por mãos divinas


A mãe negra não tem casa

Nem carinhos de ninguém

A mãe negra é triste, triste

E tem um filho nos braços

Mas olha o Céu estrelado

E de repente sorri

Parece-lhe que cada estrela

É uma mão acenando

Com simpatia e saudade


Aguinaldo Fonseca





segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

O DESPERTAR



 Durante este  ano de pandemia e confinamentos a Natureza continua o seu percurso como se nada acontecesse.

As acácias estão a despertar, a mandar mensagens ao mundo para que se prepare para um novo despertar .

Ao olhar através da minha janela reparei que a acácia perto da minha casa está a começar a florir.

É o primeiro sinal do despertar da Primavera. 

                             

A mais linda flor

Pende-se em cachos no meio da praça

Não há quem passe e não ache uma graça

Acácia amarela a flor do amor ...

  

Com o sol e sem chuva ela brotou

Aqui a chuva não caiu

Mas nada disso a impediu,

Aconchego das abelhas que a beijou...


E quando o dia vem raiando

O sol chega sorrindo

Os botões vão se abrindo

As abelhas vão chegando...


São acácias florindo em sua pureza

Perfuma o ar na sua magia

Acaricia a alma perfuma o dia

Saltam aos olhos tamanha beleza


Poema de Irá Rodrigues



( foto de Elvasnews )