STRET ART
Passeando por um bairro de Lisboa
Orquídeas
Por mais de 2500 anos as Orquídeas têm fascinado a humanidade e foram utilizadas no passado em porções curativas, afrodisíacas, para decoração e ocuparam grande papel nas superstições.
Um dos grandes apreciadores das Orquídeas foi o filósofo Confúcio que sentia-se fascinado pelo seu perfume e beleza, relacionando esta flor com a delicadeza de sentimentos, amor, pureza e elegância.
ROSAS
Rosas que desabrochais,
Como os primeiros amores,
Aos suaves resplendores
Matinais;
Em vão ostentais, em vão,
A vossa graça suprema;
De pouco vale; é o diadema
Da ilusão.
Em vão encheis de aroma o ar da tarde;
Em vão abris o seio úmido e fresco
Do sol nascente aos beijos amorosos;
Em vão ornais a fronte á meiga virgem;
Em vão, como penhor de puro afeto;
Como um elo das almas,
Passais do seio amante ao seio amante;
Lá bate a hora infausta
Em que é força morrer; as folhas lindas
Pedem o viço da manhã primeira,
As graças e o perfume.
Rosas que sois então?- Restos perdidos,
Folhas mortas que o tempo esquece, e espalha
Brisa de inverno ou mão indiferente.
Tal é o vosso destino,
Ó filhas da natureza:
Em que vos pese á beleza,
Pereceis
Mas, não...Se a mão de um poeta
Vos cultiva agora, ó rosas,
Mais vivas, mais jubilosas,
Floresceis.
Machado de Assis
Olá hoje volto ao meu blog para lhes falar um pouco de uma poetisa pouco conhecida.
A MARQUEZA DE ALORNA
Poetisa, tradutora e pedagoga portuguesa, nascida em 1750 e falecida 1839,
D. Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre, mais conhecida por Marquesa de Alorna,
foi uma figura de rara erudição, autora de uma obra epistolar ainda por descobrir e grande
divulgadora das novas ideias vindas da Europa.
Como está Sereno o Céu
Como está sereno o céu,
como sobe mansamente
a Lua resplandecente
e esclarece este jardim!
Os ventos adormecem;
das frescas águas do rio
interrompe o murmúrio
de longe o som de um clarim.
Acordam minhas ideias
que abrangem a Natureza;
e esta nocturna beleza
vem meu estro incendiar.
Mas, se á lira lanço a mão,
apagadas esperanças
me apontam cruéis lembranças,
e choro em vez de cantar.
Marqueza de Alorna, in " Antologia poética"
Casa do Marquês de Fronteira e seus jardins onde passou os últimos dias a Marqueza de Alorna
Hoje vou falar-vos do " poeta esquecido"
Aguinaldo Brito Fonseca nasceu a 20 de Setembro 1922 no Mindelo, São Vicente Cabo Verde,
Faleceu em Lisboa , a 24 de Janeiro com 91 anos
Publicou um único livro " Linha do Horizonte "
Ficou conhecido pelo " poeta esquecido "
Mãe Negra
A mãe negra embala o filho
Canta a remota canção
Que seus avós já cantavam
Em noites sem madrugada.
Canta, canta para o céu
Tão estrelado e festivo
É para o Céu que ela canta
Que o Céu
Ás vezes também é negro
No Céu
Tão estrelado e festivo
Não há branco, não há preto
Não há vermelho e amarelo
Todos são anjos e santos
Guardados por mãos divinas
A mãe negra não tem casa
Nem carinhos de ninguém
A mãe negra é triste, triste
E tem um filho nos braços
Mas olha o Céu estrelado
E de repente sorri
Parece-lhe que cada estrela
É uma mão acenando
Com simpatia e saudade
Aguinaldo Fonseca
As acácias estão a despertar, a mandar mensagens ao mundo para que se prepare para um novo despertar .
Ao olhar através da minha janela reparei que a acácia perto da minha casa está a começar a florir.
É o primeiro sinal do despertar da Primavera.
A mais linda flor
Pende-se em cachos no meio da praça
Não há quem passe e não ache uma graça
Acácia amarela a flor do amor ...
Com o sol e sem chuva ela brotou
Aqui a chuva não caiu
Mas nada disso a impediu,
Aconchego das abelhas que a beijou...
E quando o dia vem raiando
O sol chega sorrindo
Os botões vão se abrindo
As abelhas vão chegando...
São acácias florindo em sua pureza
Perfuma o ar na sua magia
Acaricia a alma perfuma o dia
Saltam aos olhos tamanha beleza
Poema de Irá Rodrigues
( foto de Elvasnews )